Foram 50 anos de voz, dedicação e histórias compartilhadas através das ondas do rádio. Nesta quinta-feira, 30 de julho, a Rádio Club de Palmas se despede de um dos nomes que ajudaram a construir a história da comunicação no município: o comunicador Élcio Bernert.
A despedida representa o encerramento de um ciclo marcado pelo amor ao rádio, pela proximidade com os ouvintes e por uma trajetória construída desde a adolescência, quando os estúdios ainda tinham equipamentos muito diferentes dos dias atuais e o rádio era feito com dedicação, improviso e muita paixão.
A história de Élcio com a comunicação começou dentro de casa. Filho de um dos primeiros radialistas de Palmas, Eloy Erich Bernert, de saudosa memória, ele cresceu acompanhando o pai nos bastidores da emissora. Em um depoimento gravado em 2019, ele relembrou como nasceu essa ligação que atravessaria décadas.
“Meu pai foi um dos primeiros radialistas aqui da cidade. Lá pelo ano de 1970, eu já dava a minha chegadinha lá nos estúdios e o pai estava lá no programa. Pedia para eu ler um texto e tal, e ali começou a história no rádio, o amor pelo rádio que o meu pai passou para mim”, contou.
Ainda adolescente, aos 13 anos, Élcio descobria um universo que, para ele, parecia mágico. “Era tudo novidade. A gente olhando aqueles equipamentos, na época bem diferentes do que hoje a mídia apresenta. Mas para mim era algo dos sonhos. Você estava ali fazendo uma cobrança, de repente chegava no estúdio, alguém precisava de uma mãozinha, fazer uma mesa, alguma coisa. E assim a gente foi pegando aquele carinho pelo rádio.”
Como muitos profissionais que construíram suas carreiras no rádio, Élcio começou pelos bastidores. Passou pela cobrança, operação de mesa de som, produção de informações, até conquistar o espaço diante dos microfones. “Comecei na cobrança, depois fazendo mesa, como é o natural que acontece. Ajudando pessoas, ajudando o próprio jornalismo. Na época captava notícias, gravava no rádio, ouvia para depois fazer a redação e a gente sempre ali no meio ajudando.”
O momento de assumir um programa próprio chegou por volta dos 18 anos, no início da década de 1980. Era a estreia diante do público, com o frio na barriga comum a todo começo, mas também com a certeza de que o rádio já fazia parte da sua vida. “Primeiro horário das 17h às 19h. ‘Balancê da Tarde’ era o nome do programa. E ali começou aquela tremedeira de sempre, mas tudo é natural, né? Todo início é difícil”, relembrou.
Ao longo das décadas, Élcio acompanhou transformações profundas no meio da comunicação. Viu a evolução dos equipamentos, a chegada de novas tecnologias e as mudanças na forma de fazer rádio, mas manteve aquilo que sempre foi a essência do seu trabalho: a conexão com as pessoas.
Sua voz esteve presente na rotina de milhares de ouvintes, levando informação, música, companhia e criando uma relação que ultrapassou a barreira do estúdio. A despedida dos microfones não apaga uma história construída com dedicação. Pelo contrário: marca o reconhecimento de uma trajetória que ajudou a formar gerações de comunicadores e a fortalecer a identidade da Rádio Club de Palmas.
Neste 30 de julho, a emissora se despede de um profissional, mas guarda a memória de um apaixonado pelo rádio. Um daqueles nomes que se confundem com a própria história da comunicação local.
