O município de Palmas registrou mais de 300 afastamentos do trabalho por transtornos mentais no ano de 2025. O número representa 20% de todos os auxílios e aposentadorias concedidas pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em Palmas no ano.
Dados levantados pelo Departamento de Jornalismo da Rádio Club mostram que em 2025, o INSS concedeu 1,6 mil auxílios, aposentadorias, amparos e pensões a pessoas residentes em Palmas. Destes, 313 foram relacionados a transtornos ou doenças mentais.
Os dados apresentados se referem ao número de afastamentos, e não ao número de trabalhadores. Uma mesma pessoa pode ter mais de uma licença ao longo do ano, e cada afastamento é contabilizado separadamente.
Do total de benefícios relacionados à saúde mental, 14 foram do tipo aposentadorias por invalidez, 52 de amparo à pessoa com deficiência e 247 auxílio doença. Dos trabalhadores, 202 foram de mulheres e 111 de homens.
Entre as mulheres, a média de duração dos afastamentos temporários (auxílio doença) ficou em 111 dias. Entre os homens, os afastamentos duraram, em média, 106 dias.
A maior parte dos afastamentos se concentra no diagnóstico de episódios e transtornos depressivos, que somaram 164 registros – 136 de mulheres e 28 de homens. A idade média dos trabalhadores afastados por diagnóstico de depressão foi de 41 anos.
Diagnósticos de transtornos ansiosos motivaram 36 afastamentos, enquanto que os transtornos mentais devido ao uso de substâncias psicoativas, como álcool e outras drogas, motivaram 28 afastamentos, sendo quase a totalidade de trabalhadores do sexo masculino.
A partir do próximo mês de maio, entra em vigor a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho, que apresenta diretrizes relacionadas à saúde mental e que as empresas devem adotar no ambiente de trabalho.
A medida inclui fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Esses fatores deverão constar no inventário de riscos ocupacionais, ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos.
Segundo o Ministério do Trabalho, os fatores psicossociais são situações que, quando não bem conduzidas, podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores. Exemplos incluem metas impossíveis de cumprir, excesso de trabalho, assédio moral, falta de apoio dos chefes, tarefas repetitivas ou solitárias, desequilíbrio entre o esforço e a recompensa, além de locais com falhas na comunicação. O ministério lançou um guia para orientar empregadores e trabalhadores sobre como identificar, avaliar e controlar esses riscos.
