Às vésperas da chegada do novo ano, o bispo da Diocese de Palmas–Francisco Beltrão, dom Edgar Ertl, convida os fiéis a uma reflexão mais profunda sobre o significado do Ano Novo, indo além da simples virada do calendário. Em mensagem especial, o bispo destacou dois conceitos fundamentais: o cronos, tempo cronológico, e o kairós, o tempo de Deus.
Segundo dom Edgar, o primeiro aspecto do Ano Novo é a mudança cronológica, marcada pela sequência natural do tempo. “É uma mudança matemática. Um ano sucede o outro, com seus meses, dias, horas, minutos e segundos. É o tempo que anda, independentemente da nossa vontade”, explicou, comparando o cronos ao funcionamento automático de um relógio.
Já o segundo aspecto, de caráter teológico e espiritual, é o kairós, definido como o tempo da continuidade. “O que continua é a vida cristã, os valores, a busca do bem, da alegria e da eternidade. Mesmo quando um ano termina e outro começa, o tempo de Deus não se interrompe”, ressaltou o bispo.
Dom Edgar também enfatizou a importância do rito de passagem, não apenas de um ano para outro, mas das expectativas e esperanças pessoais. Ele alertou para o risco de depositar todas as expectativas no novo ano, como se ele fosse responsável por responder a todos os desejos humanos. “As bênçãos, a paz e as realizações são sempre necessárias, independentemente de ser início ou fim de ano”, afirmou.
Ao final de 2025, o bispo orienta que cada pessoa faça uma retrospectiva, avaliando atitudes, gestos e escolhas. Para ele, esse olhar para dentro não deve ser motivo de culpa, mas de aprendizado. “É preciso ressignificar o que não foi bem feito e seguir em frente, com os olhos fixos no que é eterno”, destacou.
Outro ponto central da mensagem é a valorização do tempo presente. Dom Edgar afirmou que muitas pessoas vivem presas ao passado ou ansiosas pelo futuro, esquecendo-se do agora. “O tempo mais importante é o tempo presente. É nele que acontecem as decisões, as escolhas, as buscas e a realização”, disse.
Para o bispo, viver bem não depende do ano que começa, mas das escolhas feitas diariamente. “Cada dia tem a sua importância. O ontem passou e o amanhã ainda não chegou. O hoje é o tempo fundamental. Vamos vivê-lo intensamente e dar as respostas que o presente nos pede”, concluiu.